terça-feira, 6 de março de 2018

“1964 - O Elo Perdido -“ O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista - resenha -







Lendo o livro de Mauro Krenski e Vladimir Petrilákv , “1964 - O Elo Perdido - O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista “, publicado pela Vide Editorial,  conhecemos o que escreveram sobre nosso País e nossa gente, os funcionários da StB (Segurança Estatal), a polícia secreta comunista, formada pela cooperação entre a polícia comum, as forças armadas, e o Partido Comunista da longínqua Tchecoslováquia. 

Os dois pesquisadores realizaram seu trabalho procurando nos arquivos disponibilizados, a partir de 1996, pelo governo daquele país que, após a chamada revolução de veludo em 1989,  teve o regime comunista derrubado.

Os minuciosos relatórios dizem como brasileiros eram aliciados para trabalhar como informantes e agentes do StB que, na verdade era um braço da KGB russa. Impressiona ver como eram atraídos como passarinhos para a arapuca. Aos agentes thecos não interessavam os militantes do Partido Comunista ou pessoas publicamente tidas como “progressistas". Buscavam entre os chamados nacionalistas, que de vez em quando protestavam contra a influencia,  vista como excessiva, da cultura americana no nosso País. Isso era importante, porque tais pessoas eram consideradas isentas quando opinassem e tinham livre acesso a grupos de atividades políticas,  econômicas, bancarias, e especialmente aos órgãos governamentais. 

Os futuros agentes eram atraídos pelo aceno da boa educação e da diplomacia, pela conversa aparentemente inconsequente,  uma vez que era notório estar longe deles a intenção de colaborar com a disseminação das idéias  comunistas e de ter um tipo vida como a que  acontecia atrás da cortina de ferro. Aos poucos, a curiosidade a conversa envolvente, e até a vaidade por despertar o interesse de alguém tão diferente, estreitavam os laços entre o agente estrangeiro e o incauto brasileiro, que aos poucos, ia se aprofundando e evoluindo na hierarquia da colaboração.   No início, a conversa  girava em torno da “ameaça"que representava os EUA para a cultura nacional. O Inimigo era os EUA, e o colaborador devia passar as informações para o estrangeiro bonzinho que  só queria ajudar o Brasil a se ver  livre da  influencia  nefasta.

Quando percebia, já tinha caído na arapuca, tinha aceitado dinheiro, presentes, viagens à Tchecoslováquia… estava nas mãos dos bondosos "amigos" que, veladamente, eram também ameaçadores, sabiam muito a seu respeito...

Foi assim, por meio desses recursos, que discursos escritos no estrangeiro foram feitos no nosso parlamento, artigos da mesma origem foram publicados em nossos jornais, livros  estrangeiros em defesa de Cuba com edição bancada pelo StB foram distribuídos gratuitamente em eventos e nas universidades. Veja bem, tudo isso não a favor do regime castrista, que não era nem mencionado, mas apenas em defesa do direito à não interferência de um país em outro, contra o boicote à ilha.

Dessa maneira,  comendo pelas beiradas, manipulando as consciências, a ideologia foi congregando mentes e corações. A cada dia, o ambiente cultural ficava mais próximo da simpatia pelas ideias marxistas, que já eram consideradas chiques pela maioria dos intelectuais.

O livro mostra também como os comunistas ficaram surpresos com a revolução que, praticamente num passe de mágica, lhes tirou das mãos o bolo pronto, prestes as ser devorado em 1964. 

Considero dolorosos os dois últimos capítulos que  tratam de  acontecimentos ocorridos depois de 1964.  Um deles fala  do assédio e aliciamento de estudantes e professores nas universidades,  feito por agentes que se matriculavam em cursos especiais e circulavam no ambiente universitário como  integrante dele.  Contavam com a natural hospitalidade brasileira para serem aceitos, poder participar das atividades e  estimular a curiosidade a respeito do seu país e da vida no regime comunista; para estreitar "laços e convênios”. 

O  outro capítulo narra como agentes tchecos ajudaram os colegas húngaros numa operação que enviou à organizações  sul-americanas  panfletos pedindo que fossem celebradas missas em memória  de uma padre católico, Torres, que se unira aos guerrilheiros  da Colômbia e  teria sido assassinado pelos americanos (segundo o documento deles). O objetivo era fazer de Torres um mártir nos círculos progressistas católicos na América Latina.

Outra parceria aconteceu na edição de dois livros de autoria de um "ativo agente colaborador do serviço de inteligência comunista na América Latina que também cumpriu o seu papel na luta ideológica entre oriente e o ocidente.” Trata-se de Töhötön  Nagy, um antigo jesuíta húngaro que imigrando para a Argentina, "abandonou a ordem dos Jesuítas, casou-se e constituiu uma família, tornou-se maçom, foi expulso da loja Estrella de Oriente 27 e, depois, tornou-se agente da polícia política húngara, com a qual colaborou até o fim de sua vida. Seu livro [Jesuítas e Maçons] demonstra a proximidade  entre as ordens de jesuítas e maçons, afirmando que estão unidas pelo progresso e reprovando a hostilidade  entre elas, foi motivado pela vontade de servir a uma ideia que considera justa. Em 1966, tornou-se agente da polícia secreta comunista em operação na Argentina, e posteriormente trabalhou na Hungria e no eixo Budapeste-Vaticano.”- pg.461 -

Um segundo livro dele, editado no  Chile, em 1968,  como nome de “Iglesia y comunismo” não  chegou a ser editado na Europa  mas os húngaros, que encabeçavam a operação, se deram por satisfeitos porque "editaram e distribuíram na América Latina um livro que, em 1968, apontava um certo parentesco entre a ideologia marxista e a religião cristã, escrito segundo as instruções do serviço  de inteligência comunista [‘Nesta missão, os amigos húngaros pediram à StB que lhes fornecessem cerca de dez páginas de um texto com o tema: “a Igreja e o Estado no país socialista”pg. 459] no qual fora aplicada "uma argumentação escolástica, ou seja, usando a arma deles”. - pg. 464 -

Concluímos, ao fim da leitura,  que a verdade sempre dói, mas também é a única que liberta. Nós, brasileiros e latino-americanos, precisamos nos despir de uma mentira que nos tem sido imposta, de maneira sorrateiramente diabólica. Usando nossa antiga boa fé, e a boa disposição, vinda da caridade cristã,  em sempre supor a bondade no desconhecido, tem jogado tantos de nós numa vida na qual não temos mais a nossa descontraída alegria de acreditar na bondade alheia.  Tudo isso  tem sido trocado por um destilar contínuo de desconfiança e revolta. Temos  sido induzidos a uma busca  para obter riquezas materiais, ou melhor, a exigir que outros,  que consideramos abjetos, no-las deem…   

Enquanto isso, nossas alegres manifestações culturais religiosas, onde cultuávamos  o Único Provedor de todos os bens, têm sido substituídas por cada vez mais malucas manifestações de uma esquizofrenia que faz querer estar ligado a Deus, falar em nome dele, enquanto  procura deletar todo o amor a Ele nos corações humanos. 

 E o nosso povo alegre e naturalmente feliz tem se tornado campeão em violência.  É tempo de despertar de um sonho ruim sugerido pelo demônio, o pai da mentira.  Voltemos para o verdadeiro Deus, o dos nossos  sábios antigos. Ele continua vivo e,  como sempre, disposto a perdoar. Ele pode tudo restaurar tudo. Ele é Deus.



Giselle Neves Moreira de Aguiar

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Velhos e Novos Carnavais





Um dos sintomas da chegada da velhice é o pensamento muitas vezes expressado: “no meu tempo era melhor!”

Atualmente, nem temos tempo para relembrar o nosso passado e verificar se ele foi melhor ou pior do que o presente, tamanha é a quantidade de informações que estamos continuamente recebendo. 

Uma postagem na rede social, de um respeitado professor, criticando grupos religiosos que se reúnem para fazer do tempo da folia um retiro espiritual ou mesmo uma folia voltada à alegria de possuir a cristandade, fez-me lembrar os velhos carnavais.

Na minha infância e adolescência, vividas em uma pequena cidade do interior, o carnaval era uma festa  acontecida com grande intensidade. A cidade chegou a se dividir em três escolas de samba. 

Meses antes já ocorriam as providências, os estudos e os preparativos para a escolha do enredo, do samba narrativo, das fantasias, dos destaques, e dos dois ou três carros alegóricos. Tudo feito por amadores, realizando feitos em que podiam extravasar a veia artística. Os talentos da cidade eram realçados, e a felicidade comemorada com simplicidade e descontração. A faixa etária dos participantes variava entre três e oitenta anos. Acontecia a festa, sem grandes excessos, com ordem, paz e muita alegria. Quarenta dias depois, o mesmo entusiasmo se voltava para as encenações da Semana Santa. Podemos dizer que a cidade era formada por um povo de artistas: músicos, cenógrafos, figurinistas, e alguns maestros que conseguiam ver o todo e distribuir as funções segundo as habilidades.

Hoje, o carnaval acontece com mais intensidade, principalmente no número de participantes. Mas o espírito que move as pessoas  parece ser outro…

Por isso talvez que, muitos dos conseguiram preservar e transmitir à família o legado de um verdadeiro carnaval prefiram estar entre os que  têm os mesmos sentimentos quanto ao que seja bom e conveniente e fazer um carnaval diferente (rimou!). Pelo menos até essa maré violenta passar e a calmaria voltar.

Mas, existem heróis que têm, forte, nas veias o sangue dos bons e antigos carnavalescos, estes conseguem participar da folia enlouquecida de hoje e tirar dela somente a parte agradável, como vestir uma fantasia e conseguir sentir um pouco daquele gostinho de outros carnavais vividos ou apenas recebidos no DNA.

De todo jeito, o fato de ser humano é uma eterna maravilha que precisa ser comemorada. Cada um escolhe como quer viver esses três dias de "repouso", quer seja para a alma, para a mente, para o coração ou para o corpo.  O que importa é voltar com o vigor atualizado.

domingo, 28 de janeiro de 2018

"The Post - A Guerra Secreta -" resenha


O filme "The Post - A Guerra Secreta -" dirigido  Steven Spielberg e estrelado por Meryl Streep e Tom Hanks, proporciona uma agradável sensação de esperança.  No mínimo permite que vejamos qual o espírito que deve mover a atividade jornalística, e de onde vem a fama que ela tem de ser o quarto poder de uma nação.

Versa sobre um detalhado estudo do Pentágono concluindo que soldados americanos morriam na guerra do Vietnã para defender a imagem do governo americano em desvantagem na guerra, enquanto era divulgado o enfoque na ajuda ao povo do lugar e ao combate  ao comunismo. Esse conteúdo estava sendo publicado pelo  jornal "The New York Times”, mas este recebera uma intimação do governo para parar imediatamente a publicação, porque se tratava de documentos secretos do governo cuja divulgação comprometia a segurança nacional.

Quase tudo acontece no cenário do jornal concorrente, "The Washington Post", mostrando os impasses, as barreiras e as dificuldades de vários matizes enfrentadas pelos dirigentes da empresa jornalística. Deveriam, ou não, publicar o conteúdo do estudo? Quais seriam as implicações de publicar? E as de não publicar? De um lado, jornalistas lutando pela liberdade de imprensa mas com grande consciência da consequências das sua implicações, de outro, um advogado zeloso, um executivo preocupado com a reação do investidores e pessoas ligadas ao governo prevendo os maiores desastres caso a publicação se consumasse.

Chama a atenção as posições de cada personagem. Cada uma defendendo com veemência suas observações, mas tendo em vista o bem comum: da empresa, da qual todos dependiam, o  trabalho de jornalismo em si, mas sobretudo, o bem do povo americano.  O que seria melhor para o povo? Que os segredos de Estado (ou do governo e seus agentes?) fossem guardados ou que todos soubessem o que estava acontecendo? É lindo ver os vencidos batalharem pela ideia vitoriosa  no grupo.

A obra de Spielberg traz algo que precisa ser resgatado: o espírito com que é feito o verdadeiro jornalismo, que consiste na apresentação de fatos, e na discussão de suas consequências e não apenas de narrativas deles. Estas, muitas vezes distorcidas por ideologias que tem feito, hoje,  de  grande número de profissionais do jornalismo verdadeiros escravos mentais de correntes ideológicas. 

Tais jornalistas vez façam dos personagens retratados no filme seus modelos, mas vendo-os  de maneira distorcida, filtrando apenas a parte conveniente, ou seja: o poder da imprensa em relação a governos. Mas esquecem-se de que o poder da imprensa mostrado no filme vem de uma frase dita na fita: “O jornalismo existe para servir aos governados, e não aos governos.” É preciso, constantemente, considerar o que pensa e deseja a maioria dos governados, e não tentar formatar suas mentes e corações aos desejos do guru da vez. O povo sabe muito bem quem está contra e quem está a seu favor. A voz do povo é a voz de Deus!

O filme, em cartaz, encanta por elevar os espíritos, mentes e corações a um patamar mais alto da dignidade humana. Salas cheias. Com toda razão.

Assista ao trailer legendado:






Votos iluminados




O recurso contra a condenação feita pelo juiz Sérgio Moro ao ex-presidente Lula  rejeitado pelos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) trouxe esperança para a maioria do povo brasileiro, se considerarmos o número de participantes das marchas contra a corrupção acontecidas nos últimos anos.

O espírito de cidadania, o orgulho dos valores que sempre nortearam o povo brasileiro, parece ter sido reacendido pelo sopro sereno dos três juizes daquele tribunal apresentando o raciocínio natural das pessoas simples de maneira clara, explicando em detalhes o que para o povo era óbvio.

Trouxe alegria e esperança às pessoas comuns ouvir o Tribunal confirmar que todos aqueles malfeitos são considerados crimes e, portanto, não podem ficar impunes, especialmente quando cometidos por pessoas eleitas ou nomeadas para zelar pelo patrimônio comum. Os juizes disseram o que o povo já estava cansado de saber. 

Afinal, a maioria não consegue entender que força maligna tem sido capaz de colocar tanta gente fraca e incompetente para ocupar cargos de cuja eficiência depende aspectos da vida de milhões de pessoas. Muitos já não se admiram de  que coisas como a febre amarela estejam de volta, depois dela ter sido erradicada pelo trabalho de cientistas competentes e servidores públicos devotados, num  tempo em que os recursos tecnológicos eram quase inexistentes.

A segurança anda terrível, nos ambientes  tem prevalecido a cizânia uma vez que a sensibilidade(cada vez maior) agredida tem transformado as pessoas em vítimas e, segundo um pensamento quase hegemônico, vítima tem direito, vítima pode… Deve ser por isso que os  que cometem crimes se  mostram tão injuriados quando ouvem a sentença de um juiz que leva a sério a sua função.  Representar o papel de vítima é a desculpa adequada para  se resguardar diante das próprias vítimas, das quais se espera a complacência e os votos para continuar realizando os mesmos malfeitos, enquanto recebe afeto. Afinal, coitado, já sofreu tanto…

Os votos dos desembargadores desentortaram a realidade diante das vítimas de uma virose intelectual chamada “politicamente correto” que acomete a muitos.  O tratamento  aplicado, a exposição à LUZ da VERDADE, pode ser doloroso, e por tal motivo muitos, já  demasiadamente sensibilizados por ela,  preferem continuar na cegueira. No entanto, para maioria do povo os votos dos desembargadores  chegaram como uma manhã de sol depois que uma tempestade tenebrosa causasse a enchente que nos enchera a casa de lama.  Viva a democracia! Viva a Justiça Verdadeira!

Giselle Neves Moreira de Aguiar
Artigo publicado no jornal "Diário de Sorocaba"no dia 27/01/2018


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Camerata Les Ensembles


Imagine assistir, ao vivo um coral formado por várias Montserrats Caballés e Marias Callas, Joses Carreras e Placidos Domingos que se alternam  nos solos, acompanhados de uma orquestra à altura de todos esses nomes. Tudo isso regido pelo maestro que se mostra como o mais feliz do mundo, por reger uma orquestra  formada por virtuoses.

Isso aconteceu em Boituva, São Paulo, na linda Matriz de São Roque, adornada com os belos afrescos de Bruno de Giusti, no último dia sete.

A Igreja estava lotada de adultos, idosos e crianças, que durante mais duas horas assistiam extasiados a um espetáculo que a maioria de nós, brasileiros, nem sequer poderia supor que acontecesse numa cidade do interior e, mais importante ainda, estrelado por artistas brasileiros cujo desempenho só é visto nas grandes produções dos filmes  americanos.

Semelhante à empresa do violonista holandês Andre Rieu, a Orquestra Camerata Les Ensembles tem repertório eclético que consegue conduzir um público como o nosso à música clássica  do mais alto nível a partir da boa música a que está acostumado a ouvir.  Não poderia ser diferente, porque é formada por professores do maior conservatório musical da América Latina, o de Tatuí, SP.

Palavras são insuficientes para descrever a verdadeira festa dos sentidos que constituiu as mais de duas horas de completo deleite dos integrantes da platéia; em cada um, a alma dançava no corpo feliz. Os acordes harmoniosos que chegavam aos ouvidos traziam a esperança anunciada no Natal, pelos anjos, aos humildes pastores. As músicas sobre o tema do Natal  magistralmente tocadas  ou  cantadas  em português, latim ou inglês, traziam uma sensação de harmonia e bem estar que raramente temos podido sentir. Era esse, o sopro da esperança que pairava no ambiente: algo muito bom, como esse concerto,  pode acontecer por aqui.

Lembrei-me do que li recentemente* sobre uma antiga lenda  a respeito das origens da fé cristã na Rússia. De acordo com esta lenda, o Príncipe Vladimir de Kiev decidiu aderir à Igreja Ortodoxa de Constantinopla depois de ter ouvido o relato de seus embaixadores que haviam sido enviados para aquela cidade, e que estiveram presentes em uma solene liturgia na basílica de Santa Sofia. Eles disseram ao príncipe: "Não sabíamos se estávamos no céu ou na terra …" Era mais ou menos assim o sentimento suscitado durante o concerto.

Então, a gente fica pensando: isso existe? no Brasil? temos artistas desse nível? por que não temos espetáculos assim na televisão ou nos grandes eventos patrocinados pela Lei Rouanet? 

Importa que o concerto na Matriz de São Roque, em Boituva, fez o público se sentir altamente valorizado por ser presenteado com arte de alto nível, na qual, além do talento recebido gratuitamente de Deus,  cada  artista coloca muitas horas de estudo, de rigorosa disciplina, para que possa ser ele mesmo agraciado com o prazer  da sua arte. Tal prazer em produzir arte tão linda  transbordava dos artistas e inundava a plateia. O que se viveu ali poderia ser descrito como momentos de puro prazer vividos dentro de uma igreja. O prazer do ser humano atingir a forma mais evoluída de vida. Aliás, esse é o objetivo da religião cristã, na qual Deus se fez homem para  que os humanos  pudessem  ascender  à quase  divindade.

O advento, tempo que precede o Natal de Jesus Cristo, é o de renovar a esperança de que a vinda do Menino-Deus traga  dias melhores, nos quais serão  valorizados os seres humanos capazes de se sacrificar para oferecer o melhor que possa fazer para melhorar a vida dos seus semelhantes. Num mundo povoado de gente assim, cada um poder gozar o prazer de viver em tal ambiente. 

Quando todos puderem chegar a esse nível de civilização seguindo o exemplo de Jesus Cristo, o Deus Trino se sentirá como o maestro, regendo uma orquestra de incontáveis virtuoses. Com toda certeza, esse será um indizível prazer divino que reverberará em cada cantinho do planeta.

Ah! Quantos bons sonhos pode despertar um verdadeiro presente de Natal! Um assim que a gente só pode guardar, na memória, o bom efeito que produziu em nós.
Obrigada Camerata Les Ensembles!
Obrigada Padre Edson Daros! 


sábado, 18 de novembro de 2017

Ela desatinou…





Carnaval de rua do Rio nos anos 60 (Foto: Evandro Teixeira) 
Foto publicada no site da revista Veja: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/uma-viagem-por-antigos-carnavais/


Taís Araujo: ”No Brasil cor do meu filho faz com que as pessoas mudem de calçada.”

Muitos têm perguntado em que país vive a moça. 
Lembrei-me de duas músicas de Chico Buarque, que fizeram sucesso num tempo em que moças  pobres viviam dias de fantasia nos enredos das Escolas de Samba, na época do Carnaval. 

 Em “Quem te viu, quem te vê”, ele conta, na letra:

 “Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita  onde eu era mestre-sala”
(…)
"Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia”

Em "Ela desatinou”, observa:

"Ela desatinou, viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando…”

e confabula:

"Eu não invejo a infeliz ,feliz, 
No seu mundo de cetim, assim
Debochando da dor, do pecado
Do tempo perdido, do jogo acabado"


Nas duas letras, ele chama a atenção para a situação em que a moça se envolve tanto na fantasia que não consegue sair dela para entrar na realidade. Mas, naquele tempo, a fantasia tinha beleza, as Escolas de Samba eram verdadeiras óperas populares, carregadas de conteúdo cultural do que havia de melhor no nosso povo. O contexto da festa despertava mesmo a vontade de permanecer naquela fantasia, especialmente nas jovens que podiam ser sonhadoras, porque conheciam, por experiência própria, o que era um sonho, uma quimera, um desejo distante, uma fantasia...

Daquela época para cá muita coisa mudou. 
A observação de Chico Buarque do mal por detrás de tudo que considerávamos bom, tem feito muitos adeptos, e passou a ser uma visão cult, chique, que a maioria dos influenciadores da cultura passaram a adotar.

E assim, de produção em produção, a empregadora da atriz passou a produzir novelas cada vez mais questionadoras do modus vivendi, nos quais as personagens são, na imensa maioria,  pessoas perigosas, cheias de maldades de todas as espécies. As heroínas têm que ser espertas, capazes de digerir todo o mal acontecido durante toda a trama e no final passar uma mensagem tipo: a vida é assim mesmo…

Até que chegou a um ponto em que tudo  acontece às avessas. A excelente atriz, a moça linda,  que possui um padrão de vida de alto nível, frequentadora das mais altas esferas da escala social, vive, nos cenários das fantasias produzidas pela empresa em que trabalha, os mais sórdidos ambientes em todas as esferas dos relacionamentos humanos, onde todos são vilões considerados mocinhos ou vice-versa, apesar da maioria exibir as melhores aparências e se mostrarem em cenários cinematográficos.

Vivendo a maior parte do tempo assim, e passando sempre essa mensagem,  a pobre  moça linda e rica desatinou, se acostumou na fantasia negativa, e não consegue sair da realidade tenebrosa produzida no “Projaquistão”. Segue se obrigando a considerar tudo como dor, pecado (somente social) num tempo perdido de jogo acabado. Ela destinou…


Quem te viu, quem te vê


Ela destinou..





segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A mídia é a alma da política

A mídia é a alma da política.

Aprendemos a xingar os políticos e a atribuir a eles a culpa por todas as nossas mazelas e a responsabilidade por toda a corrupção.

Mas esquecemos de que eles jamais poderiam fazer o que fizeram, e fazem, sem o devido apoio da mídia.

Por quanto tempo aconteceram os fatos que nos conduziram a este estado de desordem, desmandos e inversão de valores sem que a "mídia" nos alertasse a que destino estávamos sendo conduzidos, como povo e como Nação?

Durante quantos anos as figuras que circulam hoje no noticiário policial frequentaram as colunas sociais e as editorias de política e economia em matérias recheadas de glamour?

Esse mesmo glamour, que há tanto tempo tem sido conferido a delinquentes, traficantes e bandidos de todos os naipes nas novelas e programas de entretenimento?
O mundo da arte e da cultura gravita em torno do mundo político e tem vivido da corrupção dele.

Enquanto os políticos enchem os bolsos, os próprios e os do partido, com o erário público, grandes veículos de comunicação se esmeram noutra forma de corrupção: a desconstrução dos valores da sociedade para substituí-los por um sem-valor generalizado. Os principais jornais e TVs do mundo, assim como as rádios de maior relevância, são fortes defensores do "politicamente correto", termo criado para inibir manifestações em defesa das ideias que desejam banir da sociedade. Essa é a mesma bandeira dos principais "líderes mundiais", interessados e responsáveis pelo politicamente correto.

Enquanto as novelas e programas de entretenimento, derramam tsunamis de mensagens subliminares  e agressões diretas, cada vez mais violentas, contra o conceito de família natural que vigora desde que a humanidade tomou conhecimento da própria existência, o Estado, chefiado pelos políticos, impõe, através do Ministério da Educação, a deformação das mentes das crianças, tirando dos pais um dos direitos humanos universais, que é o determinar a educação dos filhos.

Uma lavagem cerebral coletiva tem sido implantada em todo o planeta, de maneira que cada geração se torne mais frágil e submissa às ordens do politicamente correto, enquanto o Estado, conectado à nova ordem mundial, determina cada vez mais o que deve ser exibido, veiculado e ensinado às crianças. 

Os artistas, que vivem nababescamente dos recursos dos veículos de comunicação que, por sua vez têm como os maiores clientes os órgãos estatais, autarquias e as grandes organizações internacionais e que vivem de concessões governamentais, são os maiores interessados no sucesso da desconstrução do conceito de arte. Querem fazer da arte o que os políticos já fizeram com a administração pública.

Nesse ambiente sem Deus e sem paradigmas, tudo é arte. Não é mais necessário ter talento, suar a camisa, ter disciplina para conseguir sucesso. Basta estar bem com os chefões da mídia, que sempre estão bem com o governo, que, por sua vez, está cada vez mais com o monopólio do dinheiro.

 Uma máfia perversa, que usa recursos intangíveis para manipular o povo é formada por figurões da política e da comunicação. A ação da parte limpa da Justiça tem colocado na cadeia os empresários que se aliaram a ela, mas nenhum de nós viu ainda algum defensor do "politicamente correto" na cadeia.

Os que roubam só bens materiais sofrem sanções.
Os que roubam a dignidade, a liberdade, a identidade das pessoas, sua história, seus valores familiares e sagrados, esses continuam soltos, livres e operantes com violência cada vez maior.